5 Porquês, Ishikawa ou árvore de causas: 7 decisões para não fechar o RCA cedo
5 Porquês, Ishikawa e árvore de causas respondem perguntas diferentes; escolher o método errado fecha o RCA cedo e preserva barreiras frágeis.
Principais conclusões
- 01Escolha o método pelo tipo de pergunta que o evento exige responder, não pelo hábito do time ou pela ferramenta favorita do investigador.
- 02Use 5 Porquês quando a cadeia causal é curta e a evidência já é sólida; em evento grave, ele costuma fechar cedo demais.
- 03Use Ishikawa para abrir hipóteses e árvore de causas para explicar dependências quando há múltiplas barreiras e SIF.
- 04Valide o método em 24 horas, refine em 72 horas e transforme a escolha em ação verificável em 30 dias.
- 05Reforce o lastro sistêmico com Sorte ou Capacidade, onde Andreza escreve que o acidente é construído por camadas e barreiras que falharam.
5 Porquês, Ishikawa e árvore de causas não são sinônimos. Cada método responde uma pergunta técnica diferente, e a escolha errada fecha o RCA cedo demais. Como Andreza escreve em Sorte ou Capacidade, o acidente é sistêmico: não nasce do último ato, mas da soma de camadas e barreiras que falharam. Este guia usa 7 decisões para escolher o método sem transformar a investigação em hábito de sala.
Na prática, a escolha começa com o que o caso já mostrou nas primeiras 24 horas. Se a cena ainda preserva evidência, se há 2 ou 3 hipóteses rivais e se o evento tem potencial de SIF, a análise precisa de disciplina maior. Se quiser um ponto de apoio antes de entrar no método, o artigo sobre relatório de gabinete ajuda a separar ausência real de ausência de coleta.
A ILO estima quase 2,93 milhões de mortes relacionadas ao trabalho por ano e cerca de 395 milhões de lesões não fatais; com essa escala, escolher o método por costume é tecnicamente fraco. O tema deste artigo está em 7 decisões práticas, não em preferência pessoal.
Qual problema cada método resolve?
5 Porquês aprofunda uma cadeia curta; Ishikawa organiza causas potenciais; árvore de causas reconstrói encadeamento causal e dependências. O problema aparece quando a equipe usa a ferramenta errada para a complexidade real do evento. Se o caso envolve apenas um desvio simples, 5 Porquês pode bastar. Se há múltiplos fatores, turno, contratada, supervisão e barreira crítica, a análise precisa de um método que aceite paralelismo e não force uma explicação única. A pergunta técnica, portanto, vem antes da ferramenta.
O artigo sobre 5 mitos sobre apuração de acidente mostra por que o relatório bonito pode esconder causa fraca. Quando a equipe começa pelo método e não pelo problema, ela troca investigação por ritual.
5 Porquês: quando aprofunda e quando fecha cedo
5 Porquês é útil quando o problema é delimitado e a evidência já mostra uma sequência curta. Ele fica fraco quando a resposta final vira pessoa, atitude ou treinamento. A OSHA recomenda que a investigação busque causas subjacentes, não apenas falha imediata, e isso exige que cada resposta dos “porquês” tenha fato, registro ou testemunho separado. Se o método termina em “faltou atenção” ou “não seguiu procedimento”, a cadeia foi curta demais ou foi guiada para o lugar errado.
Em 25+ anos de EHS, Andreza Araujo sustenta que comportamento inseguro é sintoma, não causa final. Por isso, 5 Porquês só funciona quando o time aceita parar depois de 5 perguntas se ainda existir contexto a esclarecer e quando o encerramento não depende de culpado pronto.
Ishikawa: quando organiza e quando dilui
Ishikawa abre o campo de visão e ajuda a reunir famílias de causa antes da priorização. Ele é forte quando o time ainda precisa mapear material, máquina, método, mão de obra, medição, ambiente e gestão. A fraqueza aparece quando o diagrama vira mural de palpites e nenhuma hipótese é testada. Nesse ponto, o método organiza sem decidir. Se a equipe sai da reunião com 6 ramos cheios, mas sem evidência, ela tem variedade, não investigação.
Para não cair nisso, cruze Ishikawa com a lógica de causa provável e com a discussão de falhas latentes pós-acidente. A árvore de espinhos só ajuda se os galhos forem priorizados por impacto e verificação, não por quem falou mais alto na sala.
Árvore de causas: quando reconstrói e quando pesa
Árvore de causas é mais robusta quando o evento tem múltiplas decisões, várias barreiras e linha do tempo densa. Ela força a equipe a desenhar dependências e não apenas listar causas. O risco está no excesso de detalhe: se o time tenta representar tudo, a árvore fica pesada, lenta e difícil de defender. Mesmo assim, para SIF ou quase-SIF, ela costuma ser mais fiel ao trabalho real do que 5 Porquês. A HSE orienta preservar evidências e analisar causas com estrutura, porque a cena muda em horas, não em semanas.
Se o caso já sofreu limpeza, deslocamento ou perda de registros, o artigo sobre evidências perecíveis é a base operacional antes da árvore. Sem esse cuidado, a reconstrução vira reconstituição por memória.
Comparação em 7 critérios
A escolha madura usa critérios mensuráveis, não preferência de quem conduz a reunião. Compare gravidade potencial, volume de evidência, número de hipóteses, tempo disponível, necessidade de paralelismo, exigência de verificação e impacto sobre a liderança. Em acidente leve, um método linear pode bastar. Em evento grave, o mesmo atalho vira risco de fechamento precoce. A ISO 45001 especifica planejamento, operação, auditoria e melhoria contínua; método de investigação precisa obedecer à mesma lógica de gestão e não só à pressa do turno.
| Critério | 5 Porquês | Ishikawa | Árvore de causas |
|---|---|---|---|
| Evento simples | 5 | 3 | 2 |
| Evento com SIF | 1 | 3 | 5 |
| Paralelismo de hipóteses | 1 | 4 | 5 |
| Tempo nas primeiras 24h | 5 | 4 | 2 |
| Risco de fechar cedo | 5 | 3 | 2 |
| Leitura executiva | 3 | 4 | 4 |
| Verificação em 30 dias | 3 | 3 | 5 |
Os números deixam a regra clara: método linear é rápido, mas frágil quando o acidente envolve barreiras críticas. Se a empresa precisa explicar uma decisão para liderança, jurídico e operação ao mesmo tempo, a árvore tende a sustentar melhor a narrativa causal.
Como escolher em 24 horas, 72 horas e 30 dias
Nas primeiras 24 horas, escolha o método com base na evidência disponível e na gravidade potencial. Até 72 horas, a equipe já precisa ter hipóteses rivais, coleta mínima e definição do que ficou faltando. Em até 30 dias, a decisão tem de aparecer como ação verificável, não como promessa de treinamento. A Fundacentro trata prevenção como prática aplicada, então método sem verificação em campo é só documentação. Se a empresa usa a mesma ferramenta para todo caso, o problema não é a ferramenta; é a governança da escolha.
Se o evento envolve barreira crítica, vale cruzar o raciocínio com o artigo sobre Bow-Tie reverso na investigação, porque a pergunta correta é qual barreira deveria ter parado a perda de controle. Como Andreza defende em Sorte ou Capacidade, o acidente é sistêmico; o último ato só fica visível depois que as camadas falham.
Perguntas frequentes
As dúvidas abaixo fecham a comparação sem transformar o artigo em manual abstrato. A regra geral é simples: se o método não ajuda a separar hipótese, barreira e decisão, ele serve pouco para investigação real. A resposta boa não precisa ser longa, mas precisa ser sustentada por fato, registro e contexto, porque isso é o que muda o próximo turno.
5 Porquês pode ser usado sozinho em acidente grave?
Não é a melhor escolha. Em acidente grave ou SIF, 5 Porquês tende a simplificar demais e a forçar uma linha única. A melhor prática é usar método que aceite múltiplas barreiras e hipóteses, especialmente quando a consequência exige defesa executiva e verificação de campo.
Ishikawa substitui árvore de causas?
Não. Ishikawa organiza possibilidades; árvore de causas reconstrói relação causal. O primeiro é bom para abrir o campo; o segundo é melhor para explicar dependência e encadeamento. Em muitos casos, os dois podem ser usados em sequência.
Quando a árvore de causas pesa demais?
Quando o time tenta detalhar tudo sem critério de priorização. Se a árvore cresce sem teste de hipóteses, ela vira mapa complicado e pouco acionável. Nessa situação, vale voltar à evidência principal e reduzir ruído.
Qual critério decide o método?
Gravidade, complexidade e evidência. Se o caso é simples, 5 Porquês pode resolver. Se há múltiplos fatores e necessidade de paralelismo, Ishikawa ou árvore de causas fazem mais sentido.
Qual livro da Andreza sustenta essa leitura?
Sorte ou Capacidade é o lastro mais direto para a tese sistêmica. Ele ajuda a lembrar que o acidente não nasce no último ato, mas na soma de camadas e barreiras que falharam antes do dano.
Conclusão
Não existe método universal para RCA. Existe método compatível com a pergunta que o evento exige responder. 5 Porquês aprofunda cadeias curtas, Ishikawa organiza hipóteses e árvore de causas reconstrói encadeamento quando o caso é mais duro. A decisão madura protege evidência, evita fechamento precoce e transforma a investigação em barreira verificável, não em relatório elegante. Se a conclusão vira “treinar de novo”, o sistema provavelmente ainda não foi entendido.
Cada RCA fechado antes de testar hipóteses rivais preserva uma barreira frágil e aproxima o próximo evento grave do mesmo desenho causal.
Perguntas frequentes
5 Porquês pode ser usado sozinho em acidente grave?
Ishikawa substitui árvore de causas?
Quando a árvore de causas pesa demais?
Qual critério decide o método?
Qual livro da Andreza sustenta essa leitura?
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