PepsiCo na prática: 7 decisões que sustentaram 86% menos acidentes
Estudo de caso F5 sobre a redução documentada de 86% na taxa de acidentes por horas trabalhadas durante a atuação de Andreza Araujo na PepsiCo LatAm, traduzida em 7 decisões aplicáveis.
Principais conclusões
- 01Separe o resultado de 86% das causas não comprovadas e use a taxa por horas trabalhadas como linha de leitura.
- 02Priorize de 5 a 7 exposições críticas e associe cada uma a uma barreira, um dono e uma frequência de verificação.
- 03Leve a decisão para a liderança de linha com conversa no local, observação, correção e escalada.
- 04Acompanhe 6 indicadores leading e revise a execução em 24 horas, 7 dias e 30 dias.
- 05Use o case como ponto de partida para diagnosticar sua operação e aprofundar a abordagem da Andreza Araujo.
O case da PepsiCo LatAm mostra que uma redução de 86% na taxa de acidentes por horas trabalhadas não nasce de um painel isolado: nasce de decisões que conectam liderança, campo, indicadores e barreiras. Este estudo usa o resultado documentado da atuação de Andreza Araujo como ponto de partida e separa o dado verificável das escolhas que qualquer operação pode testar. leitura da taxa de severidade pode complementar esta leitura com uma explicação prática de cálculo, contexto e decisão.
O resultado é conhecido; o mecanismo costuma ser simplificado. Andreza Araujo atuou como Gerente HSE LatAm/Caribe da PepsiCo Foods e acumulou mais de 24 anos em segurança, saúde, meio ambiente e sustentabilidade. O case não autoriza inventar uma cronologia, uma unidade ou uma lista de incidentes que não foram publicados. Ele permite, porém, traduzir o aprendizado em 7 decisões auditáveis.
86% é a redução documentada na taxa de acidentes por horas trabalhadas; 47 países e 250+ empresas fazem parte do alcance profissional informado pela autora.
1. Cenário inicial: o número não explica o risco
O cenário inicial de um programa de segurança não é definido apenas pela taxa de acidentes, porque um resultado agregado pode esconder exposição, subnotificação e barreiras frágeis. O primeiro passo é estabelecer uma linha de base por horas trabalhadas, separar eventos registráveis de quase-acidentes e observar tarefas críticas. No case PepsiCo, o dado verificável é a redução de 86% na taxa de acidentes durante a atuação de Andreza; a leitura responsável começa perguntando quais decisões tornaram essa melhora possível.
Uma taxa expressa resultado, não causa. Para não transformar o indicador em troféu, compare pelo menos 3 camadas: resultado, exposição e execução. A primeira mostra acidentes; a segunda mostra horas, pessoas e tarefas; a terceira mostra se as barreiras foram aplicadas. A OIT recomenda que indicadores de SST sejam coletados e interpretados com contexto, não como números soltos.
Essa leitura também evita confundir uma queda de notificações com prevenção. Se o reporte cai enquanto a exposição permanece, a organização pode estar medindo silêncio. O caso, portanto, começa com uma pergunta desconfortável: o que o número não está mostrando?
2. Decisão: trocar meta abstrata por risco prioritário
A primeira decisão foi tratar a taxa de acidentes como sinal para priorizar risco, e não como meta suficiente. Uma operação madura escolhe poucas exposições críticas, define controles verificáveis e acompanha a execução antes de esperar o resultado final. Essa troca muda a conversa de “quanto caiu?” para “qual barreira impediu qual consequência?”. É a diferença entre administrar o painel e administrar o trabalho que produz o painel.
Selecione de 5 a 7 riscos prioritários por unidade ou processo, conforme a complexidade real, e associe cada um a uma barreira, um dono e uma frequência de verificação. Em uma planta, a prioridade pode ser energia perigosa; em outra, movimentação, direção ou intervenção em máquina. Não use a mesma lista por conveniência.
Como Andreza Araujo defende em Muito Além do Zero, segurança não combina com burocracia: combina com clareza, leveza e praticidade a serviço da vida. A posição é decisiva para o case: o indicador precisa orientar escolhas de campo, não produzir uma camada adicional de formulários.
3. Execução: levar a decisão para a liderança de linha
A execução acontece quando a liderança de linha consegue reconhecer a exposição, interromper a tarefa e corrigir a condição sem depender de uma visita extraordinária do especialista. O controle precisa caber no turno, ter linguagem comum e gerar evidência simples. Em vez de concentrar a segurança em uma área corporativa, distribua a decisão entre supervisão, manutenção, operação e trabalhadores que conhecem a tarefa.
Uma rotina prática combina 4 elementos: conversa no local, observação da tarefa, correção imediata quando possível e escalada quando a barreira não pode ser restabelecida. Registre o risco, a decisão e o responsável. Depois, revise a qualidade em 24 horas, 7 dias e 30 dias. O intervalo importa porque uma correção que desaparece após o turno não é controle sustentado.
A HSE recomenda que a gestão de riscos considere as barreiras e a confiabilidade dos controles. A aplicação no case é direta: o líder não pergunta apenas se o procedimento existe; pergunta se a condição segura permanece quando a produção aperta.
4. Decisão: medir leading indicators antes do acidente
Indicadores leading ajudam a verificar se a prevenção está funcionando antes de um acidente, desde que meçam ações relevantes e não apenas atividade administrativa. Bons indicadores mostram cobertura de controles críticos, qualidade das correções, participação de trabalhadores e tempo de fechamento de desvios. Eles não substituem indicadores de resultado; complementam a leitura para que a empresa consiga agir enquanto ainda há tempo.
Use um conjunto enxuto de 6 indicadores: controles críticos verificados, barreiras encontradas operantes, desvios corrigidos no prazo, quase-acidentes com resposta, ações vencidas e observações que geraram mudança de processo. Uma reunião mensal pode analisar tendência de 12 semanas, enquanto a liderança de turno acompanha exceções no mesmo dia.
A ISO 45001 especifica a necessidade de monitorar, medir, analisar e avaliar o desempenho do sistema de SST. Isso não significa multiplicar KPIs; significa escolher medidas que ajudem a decidir. Para aprofundar a diferença entre resultado e controle, veja as falhas que fazem o LTIFR esconder decisões perigosas.
5. Resultado mensurado: interpretar os 86% sem exagero
O resultado mensurado é uma redução de 86% na taxa de acidentes por horas trabalhadas durante a atuação de Andreza Araujo na PepsiCo LatAm. Isso equivale, em um índice normalizado, a passar de 100 para 14, uma derivação matemática útil para visualizar a magnitude, não uma publicação dos valores brutos. A conclusão defensável é que houve melhora expressiva no indicador; a causa deve ser analisada pelas decisões e controles que sustentaram a mudança.
| Leitura | Antes | Depois | Como interpretar |
|---|---|---|---|
| Índice normalizado da taxa | 100 | 14 | 86% de redução, derivada do resultado informado |
| Unidades de medida | Taxa por horas trabalhadas | Evita comparar períodos com exposições diferentes | |
| Tipo de evidência | Resultado corporativo documentado | Não substitui auditoria de barreiras | |
O que não se pode afirmar sem dados adicionais: a distribuição mensal, o número absoluto de acidentes, a contribuição isolada de cada iniciativa ou a permanência do resultado depois da mudança de liderança. A Fundacentro publica referências técnicas para apoiar a prevenção no trabalho; a boa prática é combinar fonte, método e limite da inferência.
6. Lições generalizáveis: 4 princípios para outros contextos
Quatro lições do case são transferíveis: normalize o indicador pela exposição, priorize riscos críticos, dê responsabilidade à liderança de linha e verifique barreiras antes de celebrar resultados. A transferência não é copiar o programa da PepsiCo; é preservar a lógica de decisão e adaptar controles ao processo, à tecnologia, à jornada e ao perfil de risco de cada operação.
Primeira: resultado sem denominador engana. Segunda: meta sem barreira vira pressão. Terceira: procedimento sem observação não prova execução. Quarta: melhoria sem revisão perde força. Em projetos conduzidos por Andreza Araujo, a combinação de engenharia, criatividade e cuidado é a ponte entre intenção e prática; não existe atalho que substitua o trabalho de campo.
Há uma quinta lição: a comunicação precisa acompanhar o controle. Quando a liderança explica por que uma barreira foi escolhida, o trabalhador consegue reconhecer o risco e apontar uma falha antes que ela se transforme em evento. Isso exige linguagem específica, não slogans. Diga qual energia deve ser isolada, qual condição interrompe a tarefa, quem pode autorizar a retomada e qual evidência fecha a ação. Em uma rotina com 2 reuniões de acompanhamento por mês e uma verificação de campo por semana, a organização cria cadência suficiente para enxergar desvios sem esperar o fechamento trimestral.
O artigo indicadores de barreiras críticas detalha como acompanhar controles antes do acidente. Para a dimensão de reporte, compare também o aumento de reportes em SST, porque informação que circula muda a qualidade da decisão.
7. O que aplicar na sua operação nos próximos 30 dias
Nos próximos 30 dias, escolha uma exposição crítica, estabeleça uma linha de base, verifique uma barreira no campo e acompanhe a resposta em três momentos. O objetivo não é prometer uma redução percentual; é criar evidência de que a decisão preventiva aconteceu e resistiu à pressão operacional. Se o processo não consegue mostrar quem decidiu, qual controle foi aplicado e o que mudou, ainda não há aprendizado mensurável.
Na semana 1, defina denominador, risco prioritário e responsável. Na semana 2, observe pelo menos 10 execuções reais e registre as barreiras encontradas. Na semana 3, corrija os desvios que dependem da operação e escale os que exigem engenharia ou investimento. Na semana 4, revise tendência, qualidade e pendências com a liderança.
Feche o ciclo com uma pergunta de aprendizado: qual decisão ficou mais fácil para quem executa a tarefa? Se a resposta for nenhuma, o indicador ainda não virou prevenção.
Cada ciclo sem verificar uma barreira crítica mantém a empresa dependente de um resultado passado; a prevenção precisa ser demonstrada no trabalho de hoje.
Se a sua organização quer transformar indicadores em decisões de segurança, conheça os livros e os programas da Andreza Araujo na loja da autora e use o case como ponto de partida para um diagnóstico próprio.
Perguntas frequentes
O que significa a redução de 86% na PepsiCo?
Quais decisões sustentam um case de redução de acidentes?
Por que a taxa por horas trabalhadas é importante?
Como começar um programa semelhante em 30 dias?
Qual livro da Andreza ajuda a interpretar esse case?
Sobre o autor
Documentários
Assista aos documentários da Andreza
Três produções sobre cultura de segurança, falhas organizacionais e as lições humanas por trás de grandes desastres.
Podcasts
Ouça os podcasts da Andreza
Ela apresenta três programas sobre liderança em segurança, EHS e cultura organizacional, em inglês e português.